A temporada de declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 está se aproximando, e milhões de contribuintes começam a se preparar para cumprir mais uma vez essa obrigação fiscal junto à Receita Federal. Neste ano, apesar de fortes mudanças na lei tributária em vigor, algumas alterações ainda não terão impacto direto na declaração que será entregue em 2026. Confira a seguir tudo o que você precisa saber.
Período de entrega da declaração
A Receita Federal ainda não publicou oficialmente o calendário completo de transmissão da declaração de 2026 (ano-base 2025), mas, com base no histórico dos últimos anos, a expectativa é que o prazo seja similar ao de anos anteriores:
Início provável: meados de março de 2026
Término provável: final de maio de 2026
No ano passado, por exemplo, a entrega começou em 17 de março e terminou em 30 de maio.
Vale lembrar que a Receita Federal costuma divulgar o período oficial no começo de março e liberar o programa para transmissão e recebimento das declarações antes dessa data oficial.
Documentos essenciais
Antes de começar a declaração, o contribuinte deve reunir:
Informe de rendimentos fornecido por empregadores, INSS e fontes pagadoras;
Informes de instituições financeiras e corretoras (rendimento de investimentos, aplicações financeiras, etc.);
Comprovantes de deduções (despesas médicas, educação, dependentes, pensões, etc.).
Esses informes costumam ser disponibilizados pelas empresas e bancos até o fim de fevereiro ou início de março. Por exemplo, empregadores e instituições financeiras têm prazo para entregar o informe de rendimentos referente a 2025 até 27 de fevereiro de 2026.
Quem precisa declarar
Embora as regras detalhadas ainda dependam de ato oficial da Receita, espera-se que sejam muito parecidas com as de 2025, considerando que a declaração de 2026 refere-se ao ano-calendário 2025:
Estão obrigados a declarar, entre outros:
Quem teve rendimentos tributáveis superiores a R$ 33.888,00 no ano-base;
Quem recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados na fonte acima de R$ 200.000,00;
Quem realizou operações na bolsa de valores acima de R$ 40.000,00 ou teve ganho líquido sujeito à tributação;
Proprietários de bens ou direitos de valor elevado ou com movimentações específicas.
Esses valores podem ser ajustados ou confirmados nas normas oficiais que a Receita divulgará em março.
Principais mudanças tributárias em 2026 (e impacto na declaração)
O ano de 2026 começou com uma reforma no Imposto de Renda federal, com mudanças importantes nas faixas de tributação e na forma de cálculo. Porém, é importante destacar:
Novas regras de isenção e redução de imposto
Desde 1º de janeiro de 2026, entraram em vigor novas faixas que beneficiam trabalhadores com renda mais baixa:
Isenção total do IRRF na fonte para quem ganha até R$ 5.000 por mês;
Redução gradual da tributação para rendimentos entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 mensais;
Acima disso, o imposto segue as tabelas tradicionais.
Isso significa que muitas pessoas perceberão mais dinheiro no contracheque, a partir dos salários pagos em 2026 — porém, essas mudanças só serão refletidas na declaração de 2027, quando forem apurados os rendimentos de 2026.
A reforma implementou medidas com impacto distributivo e fiscal:
Tributação de dividendos: imposto de 10% sobre dividendos pagos acima de R$ 50 mil mensais por empresa a uma mesma pessoa física;
Imposto mínimo para renda alta: rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil passam a ter tributação mínima progressiva de até 10%;
Ajustes nas alíquotas sobre capital: aumento por exemplo no imposto sobre juros sobre capital próprio (JCP).
Essas mudanças serão mais sentidas na declaração de 2027 e posteriores.
Dicas para evitar problemas e malha fina
Especialistas recomendam atenção especial para:
Incluir todos os rendimentos tributáveis e isentos corretamente;
Conferir informes bancários e de corretoras (inclusive de aplicações financeiras);
Não omitir operações na Bolsa ou ganhos de capital;
Utilizar a declaração pré-preenchida disponibilizada pela Receita, que traz dados já informados pelas fontes pagadoras e instituições financeiras.
A declaração do Imposto de Renda 2026 é mais uma etapa importante da vida fiscal do contribuinte brasileiro. Embora o período oficial de entrega ainda esteja sendo definido, todas as sinalizações apontam para início em meados de março e término no final de maio de 2026. Além disso, as grandes mudanças tributárias implementadas em 2026 — como a isenção de imposto para salários mais baixos — ainda não terão impacto direto na declaração a ser entregue este ano, mas devem influenciar fortemente as declarações de 2027.







