O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da aplicação e da produção da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após o registro de eventos adversos que passaram a ser investigados pelas autoridades sanitárias federais. A decisão tem caráter preventivo e visa garantir a segurança da população enquanto os casos são analisados.
Segundo o governo federal, a suspensão afeta exclusivamente a vacina Butantan-DV, imunizante de dose única aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no final de 2025 e incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) neste ano. O produto vinha sendo utilizado em projetos-piloto e em grupos específicos definidos pelo Ministério da Saúde.
As autoridades destacaram que a decisão não tem relação com a vacina contra a dengue já aplicada rotineiramente pelo SUS em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Dessa forma, a campanha de vacinação atualmente em andamento segue normalmente, sem qualquer alteração.
A Butantan-DV foi considerada um marco para a saúde pública brasileira por ser a primeira vacina do mundo contra a dengue administrada em dose única. Estudos clínicos realizados com mais de 16 mil voluntários apontaram eficácia de 74,7% contra a doença, além de proteção superior a 90% contra casos graves e hospitalizações.
O Instituto Butantan e o Ministério da Saúde informaram que colaboram com as investigações para identificar a origem dos eventos adversos observados. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a quantidade de casos registrados nem sobre a gravidade das ocorrências analisadas. A expectativa é que a avaliação técnica determine se há relação direta entre os episódios e a vacina.
A suspensão ocorre poucos meses após o início da distribuição nacional do imunizante. Em dezembro de 2025, o Butantan iniciou a entrega de mais de 1,3 milhão de doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), com previsão de ampliar significativamente a produção ao longo de 2026.
Especialistas reforçam que a investigação faz parte dos protocolos internacionais de farmacovigilância e que medidas cautelares são comuns quando surgem notificações que precisam ser esclarecidas. Enquanto a análise prossegue, o Ministério da Saúde orienta a população a manter as medidas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da dengue, como eliminação de criadouros e cuidados com água parada.
A previsão é que novas informações sejam divulgadas nos próximos dias, após a conclusão das avaliações técnicas conduzidas pelo Ministério da Saúde, pela Anvisa e pelo Instituto Butantan.






